30 janeiro 2012

Aoi Hana

De vez enquando a gente entra em uma temporada de azar... é a segunda canoa furada (consecutiva) que embarco: Aoi Hana. Malditas sinopses parciais e camufladas! Porquê não falaram que se tratava de um monte de meninas com tendências lésbicas?!
Anime de 2009, contando com 11 episódios, tão chato que aborrece até quem curte esse tema. Mas já esclarecendo, não se trata de um anime erótico, explícito, como alguns yaoi por ae... a temática é (ou deveria ser) mais voltado ao romance. Se alguém está procurando cenas de meninas peladas se agarrando não encontrará em Aoi Hana, hahahaha (ainda bem).
Vamos lá... Fumi (a da direita, de óculos) e Achan são amigas de infância. A primeira se muda com a família e só se reencontram uns 10 anos depois, retomando assim, a amizade. 
Fumi parece ser bastante insegura, introspectiva e volúvel, está deprimida e sente-se de certa forma traída pela prima, que está se casando. Fumi ama esta prima, mas fica um pouco subjetivo esse amor, não é possivel afirmar de fato que trata-se de um amor fraternal e o desgosto que ela sente pelo casamento trata-se de ciúme fraterno (se é que isso existe) ou é um amor sexual e a tristeza vem de um sentimento de traição, de estar sendo trocada.
Tudo isso até dá para engolir, uma vez que a idade em que a menina está, e por ser excessivamente introspectiva e de poucos amigos sugere que é possível que esteja com a sexualidade um pouco infantilizada, ligando-se a qualquer um que lhe dê atenção, não necessariamente havendo ligação no sentido, "desejo adulto".
Pois bem. Achan por sua vez é uma menina alegre e comunicativa, não tem grandes problemas em se relacionar com qualquer pessoa. (embora os introspectivos não tenham, necessariamente, dificuldade de se relacionar). Achan sem dúvida é uma das melhores personagens, bastante coerente e verossímil. É uma daquelas pessoas que são fáceis de se lidar, franca e gentil, sem ser aquele tipo "descolada" (que cá entre nós me causa pavor hahuahuahuahua)
Envolvida em sua dor por ter sido "traída pela prima", e não conseguindo impor suas próprias vontades até em situações escolares, acaba se deparando com Yasuko-senpai.
Essa bela figura de ar andrógeno trata-se de uma menina. Essa ai também é complicada. Era (ou ainda é, não se sabe) apaixonada pelo noivo da sua irmã mais velha (alias, é noivo da irmã e professor).
Foi rejeitada por ele e a partir dai, magoada, esconde sua dor assumindo para os outros uma nova postura: corta o cabelo curto e assume uma aparência masculinizada (para o delírio das menininhas assanhadas da escola). Acaba ganhando bastante atenção, uma legião de fãs que a assediam que, inconscientemente, incentivam a continuar se comportando dessa maneira.
Fumi e Yasuko começam a namorar, mas sempre está implícito que Yasuko ainda ama o professor. Também está implícito que Fumi só está substituindo a figura da prima. Em algum momento Yasuko, diante das inseguranças e ciúmes de Fumi, lhe pergunta se ela lembra qual foi o primeiro amor dela.
Com os sentimentos bem bagunçados, Yasuko decide terminar com Fumi. Fumi chora, chora, chora e quando Yasuko tenta uma reaproximação (depois do casamento da irmã), Fumi afirma que ela é uma egoísta e que deveria se concentrar em quem realmente gostava, e se não correspondida, deveria desistir. Também diz que já desistiu de Yasuko. (Uma das poucas frases de impacto de Fumi... hehe)
No final, Yasuko arruma as coisas para estudar na Inglaterra. Fumi e Achan relembram seus momentos de infância e Fumi recorda que o seu primeiro amor não foi sua prima, e sim, Achan.
Fim.
Gente, não gostei. É como eu disse, até quem não se importa de ficar assistindo romances gays fica irritado com o rumo que a história toma... parece que elas se envolvem uma com a outra só porque estão em uma completa confusão interna, usando-se mutuamente. Muito, muito frustrante. A série se assemelha mais a um "estudo de caso" do que a um "romance"...
De qualquer forma, só porque eu não gostei não quer dizer que eu ignore as boas coisas que ela trás: a "lição de moral" que a Fumi deu em Yasuko foi uma delas. A bagunça interna de Yasuko e como ela lida (e principalmente, como não lida) também é interessante de ser observada. A amizade e companherismo de Achan são notáveis. O próprio tema da amizade que é retomada depois de muitos anos é viável e interessante. Alguns comportamentos doentios aqui e ali de outros personagens são bons de se observar também, dificilmente alguém passa pela adolescência sem apresentar essas coisas... quem tem boa memória certamente se identifica. A qualidade técnica do desenho também é muito boa, e a maneira como o conteúdo é apresentado assume uma cadência e formas bastante sutis e delicadas.
No final de tudo, é como eu disse... a série nem trata de romance... e o que alguém pode chamar de romance aí, é uma tentativa desesperada de mascarar o amontoado de confusões internas, frustrações e angústias. (De fato, para alguns pessoas "romance" é isso mesmo).

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