12 fevereiro 2013

As estrelas cantam #11 (mangá)

Já faz alguns dias que comprei o último número de "As estrelas cantam" (Hoshi wa utau) e somente hoje consegui ler...
Eu já vinha comentando o desenrolar de "As estrelas cantam", não é? No último post sobre a obra eu estava bem aflita com a ideia de que Natsuki Takaya fosse errar a mão e colocar toda a história a perder... e adivinhem.... isso não aconteceu!!!!!!! 
Com imensa felicidade constato que Takaya-sensei conseguiu fazer de "As estrelas cantam" um dos melhores mangás de drama que eu já li... e olha que eu detesto drama, mas é inegável que se trata de uma maravilhosa obra. A verdade é que não tem nem como comparar com seu último título lançado no Brasil: "Fruit basket". 
É claro que existem sim, algumas semelhanças entre as duas obras, mas elas são mais relacionadas aos traços, enquadramentos e construção de diálogos x pensamentos, e não a aspectos fundamentais, como história e desenvolvimento, por exemplo. 
"As estrelas cantam" começa devagar, sem dizer muito para que veio, mas como já comentei, a partir do número 5 (falei sobre ele em outubro de 2011 AQUI), a história tem um salto qualitativo absurdo, e desde então não pára de surpreender positivamente, trazendo aspectos consistentes para a trama, que apesar de ser simples, mostra-se extremamente rico e envolvente. 
Não é um título para ser lido procurando entretenimento... dificilmente você ficará alegre lendo algum número de "As estrelas cantam", é mais provável que você termine de ler com sentimentos de pesar, revolta,  tristeza, ansiedade e coisas assim. hahahahahaha 
Os personagem tem boa evolução, certamente com algumas coisas desnecessárias aqui e ali, mas no geral há um bom desenvolvimento de todos... 
Sem dúvida Chihiro rouba nossa atenção. Não dá para identificar muito bem quais são as motivações dele para decidir anular-se tanto em prol do bem estar da Sakura. Não dá para identificar se é pura bondade, piedade, pena, consciência pesada, afeição, senso de dever, não sei.. como escrito no mangá "Muitos sentimentos confusos influenciam em uma decisão dessas, não adianta tentar listar os motivos isoladamente e apontar apenas um.. a verdade é que para o Chihiro ser feliz, ele precisa ter a segurança de que você consegue viver olhando para frente... o dia em que você conseguir isso, o Chihiro finalmente vai se sentir feliz e livre". (isso foi dito para a Sakura entre as páginas 180 e 181). 
Isso é tão bonito na teoria, não? Eu realmente fico feliz que a Sakura tenha conseguido superar gradativamente a situação que se encontrava... mas eu cá tenho minhas dúvidas se a história teria final feliz "tão fácil" se fosse conduzida dessa forma, numa vida real. 
O mangá foi realista ao mostrar que tal processo levaria anos, mas mesmo assim, trazendo isso para a vida real, a pessoa teria que ter uma sabedoria absurda para dosar as coisas... equilibrar o "anular-se" em prol do bem estar de alguém, sabendo que ninguém tem estrutura emocional para sustentar o outro e a si 100% do tempo.. em contrapartida, há o senso de dever moral - e até humano - de socorrer e não abandonar o caído. 
Em alguns aspectos, creio que Chihiro personaliza muito o que a nossa geração perdeu... a compaixão pelo outro... o "primeiro o outro, depois eu"... nossa geração vive sob o mantra "primeiro eu, primeiro eu, primeiro eu" e taxa como inaceitável colocar em segundo plano os próprios desejos e sonhos.
Bem... o caso é que tem material de sobra em "As estrelas cantam" para fazer infinitas análises.. hehehe... 
Altamente recomendado para quem gosta de drama e romance... para meu gosto, eu achei meio tenso demais, mas como já sinalizei, é inegável a qualidade da obra e fiquei realmente feliz de acompanhar novamente Takaya-sensei nesse título. Que venham os próximos!

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